Diana Malheiro Mota

Saúde mental

Ataque de pânico: o que acontece no corpo

09 de junho de 2026 · Assinado por Dra. Diana Malheiro Mota

Um ataque de pânico é uma das experiências mais assustadoras que a ansiedade pode produzir — precisamente porque não parece ansiedade. Parece uma emergência física: o coração dispara, falta o ar, o corpo descontrola-se, e instala-se a convicção de que algo grave está a acontecer.

Compreender o que se passa no corpo durante um ataque de pânico não é um pormenor académico. É, muitas vezes, o primeiro passo para lhe retirar o poder.

O que é um ataque de pânico

Um ataque de pânico é uma vaga de medo ou de mal-estar intensos que atinge o pico em poucos minutos, acompanhada de sintomas físicos marcados: palpitações, falta de ar, dor ou aperto no peito, tremores, suores, tonturas, formigueiros e uma sensação de irrealidade. É frequente o medo de estar a ter um enfarte, de perder o controlo ou de morrer.

Estes sintomas são reais e intensos — mas não são perigosos. São a expressão de um sistema de alarme a funcionar com toda a força, e não o sinal de uma catástrofe física em curso.

O mecanismo — um alarme que dispara sem perigo

O corpo dispõe de uma resposta de alarme, herdada e útil, que o prepara para reagir a uma ameaça: o coração acelera para levar sangue aos músculos, a respiração aumenta para captar mais oxigénio, os sentidos aguçam-se. No ataque de pânico, esta resposta dispara na ausência de um perigo real — um alarme sensível que toca sem fogo.

O que a transforma numa perturbação é o passo seguinte: interpretar os sintomas do alarme como sinal de perigo — «vou ter um enfarte», «vou desmaiar» — alimenta ainda mais o medo, que intensifica os sintomas, num ciclo que se auto-alimenta. É por isso que muitas pessoas passam a temer o próprio medo, e a evitar os lugares onde um ataque poderá surgir.

Os sintomas de um ataque de pânico são reais e intensos, mas não são perigosos: são um sistema de alarme a tocar sem que exista fogo.

Excluir primeiro o corpo

Porque os sintomas são físicos e podem sobrepor-se aos de outras condições — cardíacas, respiratórias ou da tiroide, por exemplo —, a avaliação inclui, quando indicado, excluir causas médicas. Este passo é tranquilizador e necessário: confirma que o corpo está bem e permite dirigir o tratamento ao que de facto está em causa.

Quando avaliar — e o que a consulta faz

Vale a pena procurar avaliação quando os ataques se repetem, quando se instala o medo de que voltem, ou quando começam a condicionar a vida — levando a evitar lugares, situações ou deslocações. Deixada a si própria, esta evitação tende a alargar-se e a estreitar o mundo da pessoa.

A terapia cognitivo-comportamental é o tratamento psicológico de eleição, com eficácia demonstrada: ajuda a reinterpretar os sintomas e, de forma gradual, a reaproximar a pessoa daquilo que passou a evitar. A medicação pode ter lugar em determinadas situações. Na nossa clínica, o pânico é avaliado com esta atenção conjunta ao corpo e ao mecanismo do medo — porque tratar um sem o outro deixa o problema por resolver.

Fontes

  1. American Psychiatric Association. DSM-5-TR — Panic Disorder.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Panic disorder — Clinical Knowledge Summaries.

Revisto por Dra. Diana Malheiro Mota, médica psiquiatra.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Não constitui diagnóstico nem recomendação de tratamento.

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