Sinais
Como se manifestam os sintomas de ansiedade
A ansiedade tem uma dimensão psicológica e uma dimensão física, que costumam surgir em conjunto. Do lado psicológico, é comum a preocupação persistente e difícil de controlar, a antecipação de que algo de mau vai acontecer, a irritabilidade, a dificuldade de concentração e uma sensação de estar constantemente em alerta.
Do lado físico, o corpo reage como se enfrentasse um perigo real: aceleração dos batimentos cardíacos, tensão muscular, aperto no peito, falta de ar, tonturas, suores, tremores ou desconforto no estômago. Numa crise de ansiedade, ou ataque de pânico, estes sintomas surgem de forma intensa e súbita, e podem ser confundidos com um problema físico agudo.
As perturbações de ansiedade não são todas iguais. Incluem, entre outras, a perturbação de ansiedade generalizada, a perturbação de pânico, a ansiedade social e as fobias. Distinguir preocupação normal de perturbação depende da intensidade, da frequência, da proporção face à situação e, sobretudo, do grau em que interferem com o dia a dia.
Origem
Causas e factores
As perturbações de ansiedade resultam da interacção de factores biológicos, psicológicos e contextuais. Existe uma predisposição individual — em parte genética, em parte ligada ao temperamento — sobre a qual actuam as experiências de vida e as circunstâncias actuais.
O stress prolongado, as exigências de trabalho, as dificuldades relacionais, experiências adversas e determinados hábitos, como o consumo excessivo de cafeína ou de álcool, podem precipitar ou agravar os sintomas. A ansiedade coexiste frequentemente com a depressão e com as perturbações do sono, e essa sobreposição é tida em conta na avaliação.
Quando procurar ajuda
Quando justifica avaliação
Justifica-se procurar avaliação quando a ansiedade é frequente, difícil de controlar e limita a vida — quando leva a evitar situações, prejudica o sono, o trabalho ou as relações, ou se acompanha de crises recorrentes. Não é necessário chegar a um limite extremo para pedir ajuda.
A avaliação permite perceber se se trata de uma reacção compreensível a um momento de vida, se existe uma perturbação de ansiedade que beneficia de acompanhamento, e se há outras causas médicas a considerar.
Se tem dúvidas sobre como decorre a primeira consulta, veja como funciona.
Em caso de risco iminente para a sua segurança ou a de terceiros, contacte de imediato a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112.
A consulta
O que a consulta avalia
A consulta de psiquiatria avalia a história clínica, o tipo e a frequência dos sintomas, os contextos em que surgem e o impacto no funcionamento. Considera também a possível coexistência com outras perturbações e a exclusão de causas médicas que possam explicar as queixas físicas.
Com base nesta avaliação, é construído com o paciente um plano adequado, que pode incluir psicoterapia — nomeadamente de orientação cognitivo-comportamental —, tratamento farmacológico, ou a combinação de ambos, sempre discutido em conjunto.
A psiquiatria online tem a duração de 60 minutos, com o valor de 90 €.
Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes
Ansiedade é uma doença?
A ansiedade em si é uma resposta normal e útil do organismo. Fala-se em perturbação de ansiedade quando é frequente, intensa ou desproporcionada e interfere com o funcionamento — e é isso que beneficia de avaliação.
O que fazer numa crise de ansiedade?
Numa crise, ajuda procurar um local calmo, abrandar e prolongar a respiração e lembrar que os sintomas, embora muito desconfortáveis, tendem a atingir um pico e depois a diminuir. Se as crises são recorrentes, justifica-se avaliação. Perante sintomas físicos intensos e súbitos, e havendo dúvida, deve recorrer-se a apoio médico.
A ansiedade tem sempre de ser tratada com medicação?
Não. Muitas situações respondem a psicoterapia e a mudanças no estilo de vida. A medicação pode ser útil em determinados casos e é sempre uma decisão partilhada, tomada após avaliação clínica.
Ansiedade e depressão andam juntas?
Com frequência, sim. É comum coexistirem, e a avaliação clínica tem isso em conta para definir o acompanhamento mais adequado a cada pessoa.
Dra. Diana Malheiro Mota
Médica psiquiatra · Fundadora
Especialista em Psiquiatria pelo Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e directora clínica da Clínica Aprender. Conteúdo revisto clinicamente em Julho de 2026.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças, 11.ª revisão (CID-11), capítulo das perturbações mentais. 2019.
- American Psychiatric Association. DSM-5-TR — Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 5.ª edição, texto revisto. 2022.
- Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders — fact sheet. 2023.
- Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Saúde Mental.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Não constitui diagnóstico nem recomendação de tratamento.