Diana Malheiro Mota

Saúde mental perinatal

Ansiedade na gravidez: mais comum do que se pensa

17 de julho de 2026 · Assinado por Dra. Diana Malheiro Mota

Quando se fala de saúde mental e maternidade, o foco recai quase sempre na depressão pós-parto. É um foco justo, mas incompleto: a ansiedade, durante a própria gravidez, é frequente e, ainda assim, muitas vezes desvalorizada — tanto por quem a sente como por quem a rodeia.

Uma certa preocupação faz parte de esperar um filho. A questão é distinguir essa preocupação normal daquela que se torna excessiva, persistente e incapacitante.

Onde acaba a preocupação normal

Preocupar-se com a saúde do bebé, com o parto ou com a mudança de vida que se aproxima é esperado e adaptativo. Fala-se de ansiedade clínica quando essa preocupação passa a ser difícil de controlar, ocupa grande parte do dia, se acompanha de sintomas físicos — tensão, insónia, palpitações — e começa a interferir com o funcionamento e com o bem-estar.

Porque merece atenção

A saúde mental perinatal é influenciada pela conjugação de factores hormonais, biológicos, psicológicos e sociais próprios deste período. A ansiedade na gravidez merece atenção por si só, pelo sofrimento que causa, e também porque se associa a um risco acrescido de dificuldades no pós-parto. Reconhecê-la cedo é, muitas vezes, prevenir.

Uma certa preocupação faz parte de esperar um filho. A questão é distinguir essa preocupação normal daquela que se torna excessiva, persistente e incapacitante.

O receio do tratamento

Muitas grávidas hesitam em procurar ajuda por receio de que qualquer intervenção prejudique o bebé. É um receio compreensível, mas que não deve levar a que o sofrimento fique sem resposta. Grande parte das situações beneficia de acompanhamento psicológico, sem medicação. Quando esta é necessária, a decisão faz-se com base na evidência, ponderando riscos e benefícios de forma individual — porque não tratar também tem riscos.

Quando avaliar — e o que a consulta faz

Vale a pena procurar avaliação quando a ansiedade se torna difícil de controlar, quando perturba o sono, quando se acompanha de sintomas físicos persistentes, ou quando a grávida sente que a preocupação lhe está a retirar a vivência do momento. A avaliação distingue a ansiedade normal da que justifica intervenção, e ajusta a resposta a cada caso.

Na nossa clínica, a saúde mental perinatal é acompanhada com esta atenção às particularidades do período — e com o cuidado de não deixar por tratar, nem sobretratar, aquilo que uma avaliação atenta permite distinguir.

Fontes

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Antenatal and postnatal mental health (CG192).
  2. Organização Mundial da Saúde. Maternal mental health.

Revisto por Dra. Diana Malheiro Mota, médica psiquiatra.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Não constitui diagnóstico nem recomendação de tratamento.

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