Diana Malheiro Mota

PHDA no adulto

PHDA no adulto: porque o diagnóstico chega tarde

06 de julho de 2026 · Assinado por Dra. Diana Malheiro Mota

A perturbação de hiperactividade e défice de atenção — PHDA — não aparece aos trinta ou aos quarenta anos. Por definição, os seus sinais estão presentes desde a infância. E, no entanto, é frequente que só na idade adulta o diagnóstico se faça, muitas vezes depois de anos de dificuldades atribuídas a outras causas.

Compreender por que motivo tantos diagnósticos chegam tarde — e por que chegam ainda mais tarde nas mulheres — é parte de compreender a própria condição.

O que é a PHDA no adulto

A PHDA caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção e/ou de hiperactividade e impulsividade, que interfere com o funcionamento. No adulto, a hiperactividade motora da infância dá muitas vezes lugar a uma inquietação interna, e o que se torna mais visível são a dificuldade de organização e de gestão do tempo, o adiamento, a distractibilidade, o esquecimento e a impulsividade nas decisões e nas relações.

Porque o diagnóstico chega tarde

Vários factores concorrem para o atraso. Quem tem boa capacidade intelectual consegue, durante anos, compensar as dificuldades à custa de um esforço enorme e invisível — até que as exigências da vida adulta, com o trabalho, a gestão da casa e a parentalidade, ultrapassam essa compensação. Além disso, a PHDA acompanha-se, com frequência, de ansiedade, depressão ou dificuldades no sono, e são estes quadros que trazem a pessoa à consulta, ficando a PHDA de base por reconhecer.

Muitos adultos compensam as dificuldades à custa de um esforço enorme e invisível — até que as exigências da vida adulta ultrapassam essa compensação.

Porque chega ainda mais tarde nas mulheres

Nas mulheres, o diagnóstico tende a chegar mais tarde ainda. A apresentação predominante é, com frequência, a desatenção — menos ruidosa do que a hiperactividade — e passa mais facilmente despercebida em casa e na escola. A isto soma-se, muitas vezes, uma tendência para a auto-culpabilização e para atribuir as dificuldades a defeitos de carácter, o que adia o pedido de ajuda. É um exemplo de como um mesmo quadro pode ser sub-reconhecido consoante a forma como se manifesta.

Como se avalia — e porque a história longitudinal é a chave

Diagnosticar PHDA num adulto é um trabalho cuidado. A chave está na linha do tempo: os sinais devem estar presentes desde a infância, e é essa história longitudinal — os relatórios escolares, as memórias de família, o padrão ao longo da vida — que a avaliação reconstrói. É também necessário distinguir a PHDA de outras condições que lhe podem imitar os sintomas, e reconhecer o que com ela coexiste.

O diagnóstico não é um rótulo — é um mapa: dá nome a um padrão que a pessoa carregava sem explicação e abre a porta a intervenções que funcionam, da organização e das estratégias de gestão ao tratamento farmacológico, quando indicado. Na nossa clínica, a PHDA no adulto é avaliada com esta atenção à história inteira, e não apenas ao presente.

Fontes

  1. American Psychiatric Association. DSM-5-TR — Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87).

Revisto por Dra. Diana Malheiro Mota, médica psiquiatra.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Não constitui diagnóstico nem recomendação de tratamento.

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